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Mostrando postagens de novembro 2, 2017

nunca antes na historia desse país

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Além da água, outras coisas se esgotavam naquele ano: a comida, a saúde, o fôlego.  Vimos a tomada da presidência através dum golpe parlamentar e uma caralhada de “reformas” serem impostas goela abaixo... E a repressão descia sobre o lombo do povo sem ser notada. Veja que naquele ano, mais querida que a paz, era a justiça... E deu no que deu.  Já havíamos visto o povo islandês impitimar o governo, assumir o poder, calotear a dívida nacional, nacionalizar os bancos e escrever uma nova constituição via facebook. Foi o que iluminou os acontecimentos daqui, e nem preciso dizer que foi de repercussão mundial. Um grupo internacional participou da revolução no Brasil. É que a coisa tava feia mesmo. Várias gravações foram a público... O presidente comprava apoio como quem compra pão na padaria. O governo já havia feito corte na saúde e Educação, o povo sofria com as altas taxas de juros e a desvalorização do salário. Ainda por cima se falava em aumento tributário. A situ...

Valmir Camargo e o expressionismo joseense

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Valmir Camargo é artista plástico e gestor da Casa de Cultura Tim Lopes da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR). Iniciou sua carreira na Escola Panamericana de Artes, aos quinze anos de idade, seguiu os estudos na Faculdade de Belas Artes de São Paulo e expôs pela primeira vez aos 20 anos no SESC SJC. Sua paixão pela arte é inata. Seu avô materno foi desenhista e talvez daí venha sua veia artística, pois aos seis anos, na escola, já surpreendia. “Somos dez irmãos, e nosso pai sempre nos incentivou a estudar, por isso meus irmãos são todos formados. Sempre tive o apoio dos meus pais neste sentido”. Na juventude, o artista militava em pró do desenvolvimento cultural na cidade. Participou das comissões que compuseram a fundação, de 1986. Dez anos depois passou a integrar a equipe da FCCR, onde atua há vinte anos. Durante este período teve a oportunidade de trabalhar na maioria das casas de cultura da cidade, o que levou-o a aproximar-se ainda mais de sua comuni...

caso de amor n° 243

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“Nada do que você vê é só seu, filho. O que é só seu é o que você sente. Tudo o que você vê não pertence exclusivamente a você, pertence também ao outros e por isso é que você tem que aprender cuidar e compartilhar. Isso é a responsabilidade”. Isso quem me disse foi meu pai. Eu devia ter uns nove ou oito anos de idade, a coisa do causo era um balanço, mas podia ser qualquer coisa. Ele tem razão. Desde então não me apego, nem mesmo às mulheres, o que não significa que eu não as amo, muito pelo contrário aprecio o amor em silêncio, o que me dá o poder de amar impunemente.  Não consegui evitar... Ela entrou no vagão pouco antes de fechar as portas. Não usava aliança. Uns penduricalhos lhe ornavam, todos em sementes. E eu amei-a subitamente naquele instante e ela não soube. Sentia seus suspiros profundos. Era difícil sentir seu perfume doce de relva sob o sereno da manhã de primavera e nada poder fazer... Apenes me contentar em fechar os olha para degustá-lo, bem como àquele in...

seo guilherme

O meu vizinho, Seo Gilherme, morreu hoje. Quer dizer... Foi enterrado. Ele já tinha morrido há muito, desde que deixou de produzir. Aí é que está o que se considera morte no homem, a improdutividade.  Mas, agora foi oficializado. Foi falência, ou seja: faliu. Todos os seus órgãos deixaram de funcionar, um após outro. E ele morreu. Já não gozava o doce da vida. Talvez porque tinha diabetes e não podia com doce. Veja: o doce lhe era prejudicial! A gente, quando não prova mais do doce da vida, vai ficando doente, meio-amargo. Diz que ele tava chato mesmo, xingando todo mundo. Um marrento. Mas que sofria. Tinha muitas dores, uma pior que a outra. A morte lhe veio para recompensar as dores e todas as noites mal-dormidas. Antes seu coração estava inchado, parecia até que estava lhe apertando os pulmões. Sim, também não respirava direito, além disso, fumava. Aprendeu a fumar quando era novo e fumou enquanto teve vida. Mas o que o levou ao hospital foi um febrão, acharam até que ...

cântico de paz

Beiro um quarto de século e não arrumei mulher, não fiz patrimônio, não frequentei a academia, não prestei o vestibular, não me filiei a partido algum, se quer tirei minha carteira de motorista. A nada me dedique a não ser às práticas diárias.  Ser um observador das coisas cansa a alma e me faz velho. Passo o tempo me retalhando para costurar mais tarde... Assim transcrevo minhas horas neste diário. Mas ainda, na transcendência, sonho ser um astronauta a vadiar no cosmo... É que a realidade e tão dura, tão concreta... Que nos consome.  Meu país é tão sofrido, tão maltratado... Política é o meio de se compartilhar, ou seja, tudo o que é compartilhado envolve uma política. Minha gente não vê assim... Às vezes penso que a única solução é a revolta armada. Às vezes penso em ser presidente e dar um bom jeito em meu país. Meu discurso seria assim, como a voz dum profeta:  O espírito de Deus passou pelo meu espírito e me disse: – Vai e faz ressoar nos ouvidos das mul...

co'as perna dormente

Foi percebendo, aos poucos, que a perna às vezes ficava “mei esquecida”, por isso que estava manco o meu pai, Severino. E quando foi no médico, o dotor: “o senhô fuma?” e ele: “não.”, “o senhô bebi?” ele: “não.”, “o senhô já usou droga?” ele: “não, dotor, eu sô evangélico!”. Disse que foi mesmo um dispautério o doutor fazer aquelas pergunta, que “só podia ser baeano!”. Acredita?! Mas que sua preocupação de explicar o que sentia foi desnecessária, pois o médico lhe fizera pouquíssimas perguntas, quase não trocaram palavra, aliás, mau lhe olhou a cara. Que como sempre não lhe tocou, nem pediu exames... Que adiantou em nada, “Por isso qu’eu não gosto de ir no médico!”.  Seo Severino, nascido nas Alagoas, criado em Arapiraca, mas, desde o ginásio, vivido São Paulo. Se na infância comia do quê apanhava na roça, na praça – da Sé – sua juventude foi correr para não apanhar, e ter o que comer. Hoje hipertenso e varizento, nem trabalha nem aposenta. Seo Severino, que mais severino não...

um quase fim

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apocalipse

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da raridade de se conversar

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mais que uma testemunha ocular

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de volta ao mesmo drama

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le résultat

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dos personagens de cada dia

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na praça...

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o reencontro com maria da silva

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na rodoviária do tietê...

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das cenas pitorescas de cada dia

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os aparelhos sonoros e o futuro da humanidade

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das eleições

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passado ao presente

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na fila do banco...

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uma cena peculiar

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problemas estruturais

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paixonite

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a menina da mochila vermelha

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