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Mostrando postagens de setembro 3, 2017
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não estava mais na figura que ostentava não estava mais por detrás de seus textos não estava mais na inercia de seus objetos não estava no cheiro amargo de seus livros não estava no ócio, não estava em seu ofício não estava nas cores nem na melodia não estava no cigarro, no álcool nem na fotografia capturada num momento superficialmente feliz num baú, com tanto esmero: cartas                                              papeis de bala                                              mulheres                                              segredos                    ...

descompasso

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Dou a flor que colho a liberdade de murchar. Dou a quem amo a liberdade de amar. Dou a criança a liberdade de crescer e ao velho, a liberdade de cansar. Dou ao céu a liberdade de cair e ao chão, a liberdade de voar. Dou ao Sol a liberdade de morrer atrás do monte e de nascer quando quiser. Dou a ti, Mundo, a liberdade de me acusar, de me julgar, de me condenar. E tu, em tua vez, por que me arrancas cruelmente aquilo que mais prezo?

mandamento

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O Homem precisa voltar a ser bicho e transgredir a técnica e subverter seus vícios O Homem precisa voltar a ser bicho e viver seu ócio e matar seus ofícios O Homem precisa voltar a ser bicho e atender seu instinto e alforriar a razão O Homem precisa voltar a ser bicho e acompanhar o vento e acariciar o chão O Homem precisa voltar a ser bicho beber como bicho comer como bicho brincar como bicho amar como bicho que é e sentir O Homem precisa voltar a ser bicho e quando isso acontecer nunca deixar se reduzir a Homem

O homem do saco

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pra por medo nos adultos O que será que esse homem tão sujo e rasgado carrega no saco? Será que são livros? Será que são filhos? Será que são dores? Talvez sejam bichos bem feios e fortes... Talvez sejam contos de todas as cores... Cabeça de gente macumbas, muambas olhares, andanças promessas de amores Será que tem medo? Será que tem nome? Talvez esse homem tenha sido criança e dançado ciranda e sonhado suas cores e chorado suas dores em rimas banais O que será que esse homem tão sujo e rasgado carrega no saco? É fome! É fome! É fome! Respondem latindo seus amigos leais

das loucuras de amar (ou sátira os enamorados)

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te amo tanto tanto tanto que te abraçaria tanto tanto tanto e te apertaria tanto tanto tanto até matar-te de asfixia te amo tanto tanto tanto que te beijaria tanto tanto tanto e te chuparia os lábios tanto tanto tanto até ficarem gangrenados te amo tanto tanto tanto que morderia teu corpo e tu sangrarias tanto tanto tanto até morrer de hemorragia te amo tanto tanto tanto e meu desejo de ti é tanto tanto tanto que transaria contigo tanto tanto tanto até teu órgão ficar esfolado te amo tanto tanto tanto mais tanto tanto tanto que se fosse um tanto mais louco te esquartejaria e engoliria cada quarto teu só para que ficasses dentro de mim afinal: fomos feitos um para o outro feito fome e nordestino feito teníase e suíno feitos pus e ferimento feito arreio e jumento feito olho e conjuntivite feito estômago e gastrite feito família e discórdia feito palma e palmatória

para Aurora

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foste embora embora foste uma criança foste ânsia a hora toda a te esperar foste cedo e assim vieste feito lança partiu-me ao meio em meio ao parto Aparto o acaso agora foste de margem ao seio (donde vieste) as tuas vestes (que vestes santas!) candidamente hei de cuidar até que em sendo de muito embora brevemente claramente hás de voltar

entre uma e outra

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Uma, peguei de madrugada de madrugada numa praça A outra, não sei se era de uísque ou de cachaça Uma dá show e depois desaparece A outra gozou do meu torpor quando anoitece Uma sorri com toda delicadeza A outra não li, mas a capa é uma beleza Uma me diz de boca cheia é pé no chão A outra, de giz desenha sonhos no colchão uma engole a outra cospe uma prende a outra tosse uma hoje outra amanhã sem lençol sem sutiã é que uma me dá de bandeja a outra quase despeja uma me faz tão feliz e a outra é o que eu sempre quis Uma, peguei de saia justa e batom A outra, não sei se levo um bolo ou um bombom Uma dá show e eu sempre peço bis A outra gozou na ponta do meu nariz Uma sorri por graça ou por qualquer preço A outra não li, mas o resumo eu já conheço Uma me diz de gasolina e hospital A outra, de giz pinta gravuras no jornal uma engole a outra cospe uma prende a outra tosse uma hoje outra amanhã sem lençol sem sutiã é que uma me ...

Adeus, Massaguaçu

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Deixei o sol brilhando atrás da serra Deixei a maresia a pairar naquela terra Deixei a fantasia de sonhar mais uma vez E pra deixar o mar eu contei até três Adeus! Deixei a minha roupa no varal Deixei belas orquídeas colorindo o quintal Deixei a água-de-coco e deixei o balde de conchas Deixei o carnaval e fiz a minha trouxa Adeus! Deixei o peixe-frito sobre a mesa E na areia branca esqueci minha cerveja Deixei meu samba triste, deixei meu coração E agora aqui eu busco inspiração Adeus! (refrão) Adeus, moça bonita, prenda de Massaguaçu A vida seria mais bela se elas fossem como tu Adeus, morena! Adeus, Massaguaçu!

talvez, um dia

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Ele é tão bonito e eu nem sei como explicar acho que eu sinto que um dia irei lhe amar leva-me alguns discos alguns livros me leva ao bar Acho que um dia irei lhe amar Ele é tão manhoso e eu não sei como brigar me cata carinhoso me faz rimas ao luar rasga meu vestido meu sorriso me rasga o mar Acho que um dia irei lhe amar E quando em sua cama até pareço levitar depois da quinta trama ainda lhe quero devorar Ele me ganha com seus vícios,                        com seus vinhos,                        chocolates,                        incensos,                        velas,                        rosas,                 ...