Postagens

Mostrando postagens de novembro 12, 2017

Fome

Imagem
como o fogo come o mato como o gato come o rato como a traça come o trapo como o tempo tudo come quem não come passa fome como o mendigo come o pão como o cigarro come o pulmão como o câncer come o organismo como o capital come o ser vivo como a ferrugem come o ferro como a vara de marmelo                                        come a carne como o homem come o lixo como o bicho come o bicho como eu como você

Fotos

Imagem
em defesa da palavra, porque "uma imagem diz mais que mil palavras", mas uma só palavra nos convida a imagens infinitas. Hoje um girassol floriu tão simplesmente que ninguém viu, até um comum acidente da avenida chamou mais atenção. A gente passava bem vestida e perfumada e tão ocupada que nem tinha tempo de estar presente, em desacordo a tudo isso um indigente e seus cachorros viviam tão intensamente que até causava nojo. com aqueles olhos ele olhava o bicho engordurando as fuças com um espetinho de carne, comia vorazmente sem nem oferecer. E o outro? Com fome. Pobre do cão! Achei, no tal então, uma poesia travosa no pó-de-arroz do rosto duma rapariga maquilada, e olha que nem a lambi. Naquela tarde ventosa havia uma sacolinha achando que era um pássaro. Vê se pode!

verborragia

Imagem
O verbo devora a fera quando é deveras O verbo se esconde, quando tem medo O verbo, quando devido, surge justo, bem-cabido, e penetra o ego alheio O verbo, quando tem freio, ou entala na garganta ou vara a carne e atinge o mundo – se torce que o mundo não revide. O verbo quando reverbera revira a terra, fecunda a terra e se enverada verdejante O verbo, quando amante, escorre guloso, verboso, garboso, brilhante O verbo, quando vagabundo, caminha mole colhendo flores gozando tudo O verbo, quando erudito... Repolhos rechonchudos rezando parnazeanamente palavrentos O verbo quando tem pressa desfaz a peça desgraça a prosa e eu rio a beça O verbo quando ausente obriga seu ouvinte a abrir os seus sentidos              No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus e verbo sempre foi coisa nenhuma Em suma, eu amava enquanto tu verbalizava

sobre olhos

Imagem
   os olhos manejam os olhos e marejam noutros lagos sempre se largam lerdos nos mesmos carnavais os olhos farejam paisagens se infiltram, se disfarçam, se desfazem os olhos transbordam se aos mares quando se regaçam e corajosos os olhos se olham ora os olhos se pedem ora os olhos se despedem ora os olhos se devoram os olhos escorrem-se em lumes e chora betumes quando se irritam em qualquer demora os olhos embora em vão se vão embora