verborragia
O verbo se esconde, quando tem medo
O verbo, quando devido, surge justo, bem-cabido, e penetra o
ego alheio
O verbo, quando tem freio, ou entala na garganta ou vara a
carne e atinge o mundo – se torce que o mundo não revide.
O verbo quando reverbera revira a terra, fecunda a terra e
se enverada verdejante
O verbo, quando amante, escorre guloso, verboso, garboso,
brilhante
O verbo, quando vagabundo, caminha mole colhendo flores gozando
tudo
O verbo, quando erudito... Repolhos rechonchudos rezando
parnazeanamente palavrentos
O verbo quando tem pressa desfaz a peça desgraça a prosa e
eu rio a beça
O verbo quando ausente obriga seu
ouvinte a abrir os seus sentidos
No princípio era o verbo e o verbo
estava com Deus e o verbo era Deus e verbo sempre foi coisa nenhuma
Em suma, eu amava enquanto tu
verbalizava

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