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Mostrando postagens de novembro 20, 2017

O X MARCA O LOCAL DO ALVO

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O X MARCA O LOCAL DO ALVO Ela fez sua viagem, rápida, altaneira, para então, gradativamente mudar a trajetória, e começar uma curva descendente. Já não tinha mais a mesma velocidade, mas estava longe de ser morosa. Até que se deparou com um obstáculo macio, e assim  ela o adentrou facilmente, destruindo o que tocava, fazendo o sangue jorrar. O X marcou o local do alvo.   As crianças estavam em pânico, o motorista da van compartilhava da mesma emoção. Pegos no fogo cruzado, o motor do veículo havia sido atingido e eles não podiam sair dali. Então um menino, não se sabe se guiado pelo destemor ou pelo medo, resolveu se movimentar e abriu a porta, que estava danificada por um tiro e com isso abriu sem resistência. Ele saiu para a rua, assustado, até que seu destino veio ter com ele.  O Trabalho não saiu como esperado. Os seguranças reagiram em vez de se entregar, e a situação estava feia, havia tiros para todo lado e ele estava escondido atrás de uma parede, te...

o homem sem orelhas

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O homem sem orelhas, assim ele era conhecido na comunidade. Um homem alto, tronco exuberante, pernas de jogador de futebol e com abdômen de fazer inveja a qualquer jovem. A perda de suas orelhas teve início na adolescência, e sempre ocorria nos momentos mais turbulentos desta sua fase tão cheia de reconstruções, e sempre após o banho na frente do espelho. Era uma perda transitória e de curta duração, aproximadamente um minuto. Uma amiga minha me apresentou  ao homem sem orelhas. Foi uma paixão arrebatadora que nos levou ao altar. E lá foi estabelecida nossa primeira aliança oficial.  No início do nosso casamento fui regada com amor. Um amor expresso por meio de flores. Flores colhidas na estrada de terra, cercada por resquício de uma mata atlântica, pelos seus olhos atentos ao belo, em parceria com suas mãos. Delas surgia um buquê. De sua boca emoldurada por um sorriso , surgia  um beijo. E de seus braços, proteção. Era assim que ele chegava em casa, após horas e ...

Cicatrizes de um amor mal vivido

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 Estou aqui. trancada no banheiro. Trêmula. passando mil coisas em minha mente e todas elas inclui você. Vou marcar-te em mim. Te eternizar da forma mais dolorosa. Decido então pegar a lâmina que retirei do meu apontador especialmente pra você.     Então, trêmula, aos prantos, com mil pensamentos sendo você protagonista deles, faço em mim um corte profundo e lento. Aprecio minha dor e como a mereço. Mereço ter meu corpo todo mutilado, ele está decorado pra você, amor.     A ideia da morte me consume após cortar toda minha coxa e perceber que é relaxante. Estou vazia ao mesmo tempo que estou cheia. Você me deixou aqui, em mil pedaços e não fez questão de juntar meus cacos. Doeu sua ida como ainda me dói tão intensamente quanto antes. Não aguento mais aqui. Não nasci pra ser feliz, isso não tá no meu roteiro. Eu mereço a morte. Uma saída covarde pro que eu sinto e ao mesmo tempo não sinto. Preciso de coragem pra concluir isso e não falhar. Começo com corte...

São Francisco Xavier 27/02/2016

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Havia muitas caixas pela casa, abri todas elas, mas nada encontrei daquilo que você me perguntou. Procurei em todos os cantos, até aqueles em que havia teias de aranha. A procura me fez sentir em uma camisa de força.  E para me libertar destas amarras, daquilo que me causava um nó na garganta e lágrimas represadas e sem saber suas razões, corri.   Corri, corri mais do que meus próprios passos em direção ao alto da montanha. De lá, São José dos Campos cabia inteira em um só olhar. Tudo tão pequeno, diante da imensidão das montanhas cobertas por um verde que resisti aos cortes do Homem com suas serras. Tudo tão pequeno diante daquela imensidão azul. Um azul que crescia quanto mais onipotente a luz do sol. Ouvi o canto dos pássaros, senti as carícias do vento e o sol sobre minha pele úmida e fria.  E assim meus pensamentos foram pouco a pouco sendo drenados de todas as minhas caixas e todos meus cantos. As caixas foram paulatinamente e sem esforço esvaziadas do vá...