Cicatrizes de um amor mal vivido
Estou aqui. trancada no banheiro. Trêmula. passando mil coisas em minha mente e todas elas inclui você. Vou marcar-te em mim. Te eternizar da forma mais dolorosa. Decido então pegar a lâmina que retirei do meu apontador especialmente pra você.
Então, trêmula, aos prantos, com mil pensamentos sendo você protagonista deles, faço em mim um corte profundo e lento. Aprecio minha dor e como a mereço. Mereço ter meu corpo todo mutilado, ele está decorado pra você, amor.
A ideia da morte me consume após cortar toda minha coxa e perceber que é relaxante. Estou vazia ao mesmo tempo que estou cheia. Você me deixou aqui, em mil pedaços e não fez questão de juntar meus cacos. Doeu sua ida como ainda me dói tão intensamente quanto antes. Não aguento mais aqui. Não nasci pra ser feliz, isso não tá no meu roteiro. Eu mereço a morte. Uma saída covarde pro que eu sinto e ao mesmo tempo não sinto. Preciso de coragem pra concluir isso e não falhar. Começo com cortes ainda mais fundos e nas verticais em minha barriga. Sacia. Morrer parece perfeito pra mim.
Pego o celular e resolvo visitar seu perfil, que já bloqueei diversas vezes, mas por fim, acabo cedendo e desbloqueio para ver-te mais vezes. Você me consome, me tira a sanidade. Vejo então que está com outra pessoa. Finalmente o estímulo que precisava pro meu ato. Com adrenalina em meu sangue, uma coragem momentânea. Faço dois cortes profundos e lentos em meus braços. Sentada no chão do banheiro, aguardo minha ida. Minha vista escurece aos poucos e tudo fica tonto. A dor dos cortes é quase nula por causa da dormência de meu corpo. Penso em você pela última vez, até que tudo se apaga.
Safira Emanuela

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