São Francisco Xavier 27/02/2016




Havia muitas caixas pela casa, abri todas elas, mas nada encontrei daquilo que você me perguntou. Procurei em todos os cantos, até aqueles em que havia teias de aranha. A procura me fez sentir em uma camisa de força.  E para me libertar destas amarras, daquilo que me causava um nó na garganta e lágrimas represadas e sem saber suas razões, corri.   Corri, corri mais do que meus próprios passos em direção ao alto da montanha. De lá, São José dos Campos cabia inteira em um só olhar. Tudo tão pequeno, diante da imensidão das montanhas cobertas por um verde que resisti aos cortes do Homem com suas serras. Tudo tão pequeno diante daquela imensidão azul. Um azul que crescia quanto mais onipotente a luz do sol. Ouvi o canto dos pássaros, senti as carícias do vento e o sol sobre minha pele úmida e fria.  E assim meus pensamentos foram pouco a pouco sendo drenados de todas as minhas caixas e todos meus cantos. As caixas foram paulatinamente e sem esforço esvaziadas do vácuo que me angustiava. Do vazio que exigia de mim vestes com um tamanho maior do que eu. Livre de mim mesma ou dos conceitos que me deixavam em um labirinto, achei a resposta. Assumi minha pequenez diante da imensidão do mundo e minha grandeza diante da minha pequenez. E me reencontrei na imensidão da vida.

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