fronteira
porque podemos partir a ponte que liga o ato ao que é de fatoporque podemos pausar num pouso levianamente despudorado
porque podemos fugir com o vento vadio e frouxo apaixonados
porque podemos romper com o trato entre o concreto e o abstrato
porque podemos transar com o dia, transar com a noite eternamente feito tarados
porque podemos ficar no ócio do agora-fóssil-o-presente-foi-se-o-danado
porque podemos poder ser tudo
porque ser tudo é demasiado
Ser somente ser o que se quer ser e que não tem rima
ser abstrato no mundo, o que não é morrer
como algo que entorpece e furta desta tal, e tão sólida, realidade
como a vida cor de rosa num cântico negro
e gozar de cada suspiro
livre como a ave que voa e não existe
tão livre quanto o contorno da musa na imaginação do poeta
tão livre como a dança de qualquer coisa leve ao vento
tão livre quanto o traço numa tela infinita
tão livre quanto a fronteira entre almas enamoradas tão livres
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