A mesmice da rotina pesa sobre a minha alma
Parece que todos os dias são assim, eu saio do trabalho e espero meu ônibus, fico entre aquela multidão de pessoas que eu nem ao menos conheço, a única coisa que tenho a fazer é olhar para a direção que meu ônibus vem, isso me esvazia. As vezes ligo para casa, em busca de alguma voz que talvez me reconforte, que diga que está me esperando, que diga que anseia pela minha chegada.
E, quando entro no ônibus, lá estão eles, mais faces desconhecidas, talvez eu já tenha visto uma ou outra mas não trocamos uma palavra sequer, não conheço suas histórias. Todos ali estão mortos, sentamos ao lado de um estranho qualquer, simplesmente porque queremos um lugar para sentar, nos esprememos em uma lata de sardinha com o propósito de chegar em casa, ver alguém querido, descansar o corpo e alma, de se doar ao que gostamos de fazer.
Quando eu olho meu reflexo na janela apenas vejo um cadáver que olha para fora, a procura de algum rosto familiar ou algo bonito do lado de lá, algo que me tire dessa rotina que me sufoca e me deixa doente. A música que ressoa em meu ouvido é a que me salva na maior parte do tempo, leva minha mente para longe, e por mais que por fora eu aparente ser um corpo morto, por dentro é onde tudo acontece.
Eu só queria entender o que se passa dentro de cada um ao meu redor, assim como se passa comigo. Não quero esbarrar em um estranho e pedir desculpas como se fosse algo automático, não quero me sentar ao lado de alguém que eu vejo no ônibus e nunca troquei uma palavra. Eu quero saber como foi o dia de cada um, eu não quero uma sociedade silenciosa, eu quero ouvir a voz que grita dentro de seus corpos!
Por: Cristiane Labat
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