Léo Mandi
Estivemos entreversosproseando na casa do poeta Léo Mandi, no Colonial, Zona Sul de São José dos Campos, ponto de cultura, de aprendizagem e de encontro da arte com HOMANVS.
Após
Há
Pós
(MANDI, Léo. Minhoca de
Chocolate, Miniatura, pg. 67, Netebook, 1° Edição, 2010, SJC-SP)
Observação. Dizem: Deus
nos deu dois olhos, dois ouvidos, – além do par de narinas – e uma, só, boca, o que é sinal de que devemos observar
mais, ouvir mais – respirar mais! – e falar menos. Aqui se encontra o que
extraí do silêncio, da paz fértil, do poeta. Vê-se que a boa arte da observação, desde os tempos pueris,
muito se prestou à sua poesia. Já no prefácio do seu livro Minhoca de Chocolate,
rememora o Léo, seu mote: “O solo estava duro, “Jogue água”, disse meu cunhado.
Colocava força nos braços para fincar a cavadeira na terra. Vi uma sopa de
chocolate no chão. E na minha mente eu li a definição para terra que eu mexia:
“Minhoca de chocolate””. Tal característica percebe-se (e como não seria),
também, através de seus poemas, que são deveras prosódicos e imagéticos,
pinturescos, antropofágicos, hora trágicos, hora emblemáticos – no sentido de
salvação. “Queriam me matar no berço/ Queriam me sufocar
com o terço/ Mas/ eu vazei pelo útero/ e pisei no pútrido” Léo Mandi é
músico, oficineiro e poeta no que a vida exige; mineiro de Piranguçu, há mais
de trinta anos mora em São José dos Campos. Começou a produzir poesia, como bom
vivente, desde que veio ao mundo, mas só começou a registrá-la em sua mocidade. Como conta o poeta: “A rapaziada tinha uma
ideia de montar uma banda... Fazer o próprio som. A gente começou a se reunir e
ali eu comecei a fazer umas letras e mostrá-las pros camaradas”.
Quando não havia
mais jeito
Quando não havia
mais jeito nenhum
Eu peguei meu
rodo
Rapei todas as
nuvens
E o céu ficou tão
limpo
Que eu
Ando descalço
nele
Sinto a firmeza
do piso azul
E cada estrela
É uma moita
Onde eu deito
para ver a terra
(MANDI, Léo.
Minhoca de Chocolate, Piso Azul, pg. 28, Netebook, 1° Edição, 2010, SJC-SP)
A obra Minhoca de Chocolate,
dedicada às flores, à Angela Tuti, artista plástica, e à sua filha Carolina
Fernandes, congrega em si um apanhado de poemas produzidos entre os anos de
1997 a 2010, ou seja: 13 anos de poesias – mas não só de poesia como de
intenso ativismo cultural. Mandi nos conta também do incentivo que lhe foi a
participação nas oficinas de criações literárias da FFCR (Fundação Cultural
Cassiano Ricardo), com a orientadora Escritora Rosa Kapila. Ressalta que o
contato com a prosa, o conto e suas formas de narrativa, foi fundamental na
construção da identidade estilísca dos poemas.
Balanço no peito
Uma árvore
Para amarrar uma corda
E balançar você em mim
Me atravessando pelo meio
Você sai das minhas costas
Volta e sai pela minha frente
E ergue a cabeça
na
minha
mente
(MANDI, Léo. Minhoca de Chocolate, Seivinha, pg. 20,
Netebook, 1° Edição, 2010, SJC-SP)
Mas a música
é fortemente presente no quotidiano de Mandi. Sobre sua trajetória musical, nos
conta, em especial, de sua participação no Mapa Cultural Paulista e dos
trabalhos em composição ao grupo teatral Entreatos, com Arlei Campos. Entrementes
a construção do livro, Léo Mandi realizava o projeto Um traço um Fanzine, de difusão literária e intervenção poética,
com seus parceiros: Fernando Selmer e Sergio Ponti, com os quais nutre a boa
parceria. Atualmente o grupo segue com Drumonnd Punk e as Canções do Submarino
Quântico, que traz um repertório autoral em diálogo com a poética drumonndiana.
De madrugada
Os pássaros caem na minha mesa
Escrevo nos pássaros
Só assim
Posso aspirar ao voo com as mãos
Encosto minhas palmas neles
De pois que durmo os pássaros
Ficam
Em torno do meu colchão
Com muitas penas tingidas de
Palavras
As letras ficam acesas para o olho
Escuro
De manhã a luz retorna ao quarto
Acordo leio meus poemas pássaros e saio
Voando
(MANDI, Léo. Minhoca de Chocolate, Nuvens em asas,
pg. 37. Netebook, 1° Edição, 2010, SJC-SP)

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